http://www.diariodocentrodomundo.com.br/onde-esta-a-aluna-marxista-a-briga-entre-um-professor-e-uma-estudante-na-uerj/
http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/feministas-da-ufrj-fazem-perseguicao-ideologica-a-professor-liberal/
Se você não está com vontade (ou estômago) pra ler os dois textos acima, eu o sintetizo aqui. Um professor de direito da UERJ, Bernardo Santoro, pediu exoneração da universidade alegando intolerância do meio acadêmico para com suas posições liberais de direita. Ele movia processo interno contra uma aluna, Maria Clara Bubna, acusando-a de perseguição, difamação e injúria. O motivo? Um coletivo feminista da UFRJ (universidade que Bernardo também leciona) emitiu uma nota de repúdio à um post no Facebook do professor em questão - que o grupo acusou de machista. Ele alega que "sabe" que Maria redigiu a nota.
Abaixo, leia tanto o texto do professor quanto a nota de repúdio:
O caso reverberou. Rodrigo Constantino, colunista da Veja e amigo pessoal do Bernardo, se manifestou, dando espaço ao professor - que citou nominalmente a aluna.
O que mais me impressiona nesse caso, além da covardia do jornalista e economista da Veja, é o uso do termo "marxismo cultural" - termo moderninho, usado pela nova direita (libertária e democrática) para designar a "doutrinação de esquerda" que seria praticada nos ambientes acadêmicos. Ele se difundiu e está inserido no debate político de nosso país. Infelizmente.
Ora, doutrinação de esquerda? Estou há dois anos convivendo em um ambiente acadêmico. De uma faculdade particular! (Portanto, seguindo o pensamento neoliberal, "livre" da doutrinação demoníaca dos esquerdistas ateus.) E o que vejo lá é um ambiente altamente democrático, onde todos tem espaço para mostrar suas opiniões e debater sem preconceitos. Lá, professores de orientação liberal e marxista convivem pacificamente, as discussões são sadias e nunca ultrapassam o limite do confronto intelectual.
Inclusive eu próprio, esquerdista e católico, tenho a oportunidade de estar em um hangout político, o Desconnection, onde convivo com um militante do PC do B, um anarquista conservador e um direitista convicto. Todos são meus amigos, e passaria horas conversando com qualquer um deles. São gente-boa e tem conteúdo.
Então esse papo de marxismo cultural é bobagem. "Bulshit", como dizem os americanos. Marx é estudado pela sua contribuição para o tema da economia, e porque com base em seus estudos muitas teorias políticas foram construídas. Da mesma forma que estudar Adam Smith não é "liberalismo cultural", estudar Marx não é doutrinação alguma. Ambos devem ser lidos, ainda mais na cadeira que o professor Bernardo ministra: "Economia Política". Pela sua importância para a construção do debate histórico, político e econômico que temos hoje.
Pra mim, o caso é muito simples. Mais do que parece. O professor em questão é um profissional desequilibrado, que não tem capacidade cognitiva de conviver com diferentes vertentes de pensamento. Que persegue alunos que pensam diferente dele, e que não sabe se colocar como um ser público minimamente respeitável. Por isso, foi indiciado pela universidade. Por postura anti-pedagógica.
E cá entre nós, entrar em barraco com uma aluna na Internet não é algo que um profissional da educação deve fazer. Ele deve estar acima disso. Professor é mediador, e não debatedor. Pelo menos não com seus alunos. Um representante do ramo intelectual não poderia chegar à esse ponto.
Some isso à irresponsabilidade do autodenominado "jornalista" que simplesmente divulgou o nome da menina e a situação toda, se lixando para a exposição que ela sofreria. A garota foi inclusive ameaçada de estupro coletivo por mensagens inbox no Facebook. Some isso a situação da menina: aluna, mulher, jovem. A "parte mais fraca", como ela mesmo define - com propriedade. Imagine como a menina ficou, no meio disso? Em nenhum momento, isso foi considerado. O apedrejamento em praça pública foi o único objetivo, desde o começo.
Em suma, não houve perseguição ideológica à professores de direita ou liberais. O que houve foi o completo despreparo de um profissional que deveria ser exemplo de civilidade e de capacidade conciliadora, que abandonou o posto de formador de conhecimento para entrar em um raso debate político, baseado no moralismo acusatório e na arrogância intelectual. A auto-punição exercida pelo cara foi mais do que merecida. Tomara que um dia ele saiba disso.


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